segunda-feira, 26 de maio de 2014

O RACISMO VERGONHOSO DA ESPANHA


O RACISMO VERGONHOSO DA ESPANHA
Quando meu neto israelense virou um fanático torcedor do Maccabi Tel Aviv, acompanhando de perto e indo ao estádio quando seu time atua, achei positivo. 

Pensei comigo “é melhor do que se dedicar a outras atividades de lazer que podem levar a maus resultados”. 

Estes dias, estou repensando o assunto. 

Pelo menos quando se trata da Espanha e seus torcedores. Na semana passada, o Maccabi Tel Aviv derrotou, na Espanha, a equipe de basquete do Real Madrid, tornando-se campeã da Europa na modalidade. Vitória bonita e muito comemorada em Tel Aviv, levou multidão à praça Rabin, tradicional lugar de comemorações da cidade. 

A vitória da equipe israelense, porém, provocou uma onda de ataques anti-semitas quando  nada menos, segundo o New York Times, de 18.000 mensagens  anti judaicas foram postadas na rede Twitter. Até Hitler apareceu como “vingador da honra” espanhola. E, de fato, a Espanha está dando vexame quando se trata de liberalidade racial.


A equipe de basquete do Maccabi Tel Aviv


Dias antes, o craque brasileiro do Barcelona, Dani Alves deu uma lição na torcida do Villa Real ao comer, sem piscar, uma banana atirada contra si na hora de cobrar um córner contra o adversário. 

A banana destinava-se a comparar o jogador baiano a um macaco. O craque, porém, não perdeu a calma continuando a jogar sem se alterar, chutando um belo tiro de canto. O ato racista, que foi transmitido pelas TVs de todo o mundo, saiu pela culatra provocando uma onda de solidariedade e condenação a este ato racista e anti-esportivo da torcida espanhola. 

O gesto de Alves foi aplaudido em todo o mundo. Por isto, estou repensando meu conceito de amor pelo esporte como algo saudável para as crianças. Após verificar as atitudes da público esportivo espanhol fiquei com vergonha. Principalmente, em meu caso já que fui torcedor do Galícia, o time da colônia espanhola da Bahia. 

O gesto de Dani Alves (comer a banana e calmamente continuar a jogar) foi repetido na mídia nos 4 cantos do mundo. Esportistas e políticos foram filmados descascando e comendo uma banana num gesto de solidariedade ao jogador do Barcelona.


Daniel Alves- do E.C. Bahia para o Barcelona
Os espanhóis, porém, não são principiantes em matéria de racismo no esporte. Uma funcionária do Museu do Barcelona F.C. foi demitida quando uma câmera de segurança a captou fazendo gestos imitando macacos quando um jogador negro pegava na bola num jogo de 1ª divisão espanhola. 

A resposta anti racista inspirada pelo baiano Dani Alves foi repetida também fora da Espanha. Na Itália, que também tem visto algumas manifestações racistas no esporte, o próprio 1º ministro italiano, Matteo Renzi, comeu banana frenta às câmeras ao lado do técnico da seleção italiana, Cesare Pirandelli. 

Também na Itália, a polícia foi obrigada a intervir num treino no campo do Firenze E.C devido a cantos racistas dirigidos ao jogador Mário Balotelli, nascido na Itália, mas filho de imigrantes africanos (Ghana). Mário foi criado por uma família branca italiana, dai o sobre nome.

Também aqui em Israel já houve racismo no futebol. Os torcedores da Beitar de Jerusalém costumavam fazer gestos obcenos toda vez que um jogador negro pegava na bola. A Federação de Futebol de Israel suspendeu por um ano jogos em casa do Beitar e o desrespeito desapareceu.

Interessante que na pesquisa de opinião sobre o anti-semitismo, ou  anti judaísmo no mundo realizado pela Anti Defamation League da Bnei Brit e citado neste blog há poucos dias, os resultados mostraram que 29% dos espanhóis de hoje tendem a ser, ou são, anti-semitas. 

O fato de ter sido na Espanha que teve início a famigerada Inquisição no ano de 1492, não minorou o desgaste da Espanha frente ao mundo civilizado. Será que os espanhóis não aprenderam a lição? Recuso-me a acreditar que os espanhois concordem com atitudes deste tipo. 

Tanto assim, que Esteban Ybarra, presidente do Movimento Contra a Intolerâcia na Espanha, declarou a propósito de racismo, ter identificado nada menos de 1,500 sites, páginas ou blogs que promovem o racismo e o anti-semitismo em seu país, comparados com 300 a 400, há 5 ou 6 anos. 

Ybarra atribuiu o crescimento do racismo em seu país ao  relativo sucesso político-eleitoral de partidos ultra-direitistas na Hungria e Grécia. Será que a Espanha está com saudades do ditador Francisco Franco, um fascista para ninguém botar defeito que dominou a país ibérico durante  quase 40 anos.


Gal. Francisco Franco

Quando esta matéria já estava pronta chegou a notícia do atentado ao Museu Judaico em Bruxelas que deixou 4 mortos, entre eles 2 israelenses. O que reforça ainda as conclusões da pesquisa da ADL examinada acima.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA UNIÃO HAMAS - AP


Após uma parada para visitar a pátria amada, volto aos leitores. 

Sobre o Brasil não quero falar. Prefiro o silêncio. 

Por 2 motivos: 

1 - Já há gente demais falando no assunto com fortes críticas ao governo atual e sua aparente complacência à inacreditável corrupção que assola o país. Críticas com as quais concordo. 

2 - A esculhambação reinante em nosso país é de tal magnitude que se torna inacreditável. Todos gritam e denunciam e todos têm razão. Só uma ressalva: o super-faturamento em obras públicas e o enriquecimento ilícito não foram inventados pelo PT.

Mas, voltemos ao que interessa nesta coluna.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA UNIÃO HAMAS - AP

Muitos se surpreenderam com o súbito entendimento e talvez a formação de uma frente única, entre os 2 movimentos palestinos mais importante, a Autoridade Palestina e a organização islâmica, Hamas. A surpresa não é sem fundamento. 

Afinal, ao contrário da AP, o Hamas mantém, pelo menos publicamente, sua oposição à mera existência de Israel. Mas, como é comum no mundo da política internacional, nem sempre o que se diz publicamente representa a real posição da organização. 

É necessário,  principalmente no Oriente Médio, região dos bazares do “pede 100 para deixar por 10”, buscar o que está, realmente,  por trás das decisões. O caso do Hamas, que governa Gaza, é típico. Claro que sendo radicais islâmicos gostariam de fazer desaparecer o Estado que o judeus criaram na Palestina. 


Mas carecem de força e de apoio internacional afim de aplicar seus planos. Hoje, a Faixa de Gaza está em situação muito precária tanto econômica como política. Senão vejamos: Não possuem aeroporto. Israel bloqueia seu único porto marítimo. Israel continua permitindo a entrada de produtos de 1ª necessidade e remédios afim de impedir que a fome e as doenças dizimem a sua população. 

Seus túneis vindos do Sinai egípcio foram quase todos fechados pelo exército egípcio. E assim Gaza se transformou numa espécie de prisão para seus próprios habitantes. A crença absoluta em Alah, estimulada pelo Hamas, não mata a fome que vem do estômago. 

Há, naturalmente, muita instisfação popular e culpam o governo do Hamas que culpa Israel.  Dai a pergunta: o que pode fazer o Hamas? O óbvio: arrumar uma saída mesmo às custas de sua crença que Israel não tem direito à existência. 

Uma crença, aliás, absurda frente à realidade de um Estado de Israel super-potência militar e econômica regional. Enquanto em Gaza reina a miséria minorada pelas contribuições de fora, Israel prospera e sua população e renda aumentam.

Às vezes, transitando nas auto-estradas e avenidas das cidades israelenses penso que seria interessante trazer uma delegação de líderes do Hamas para um giro em Israel afim de que constatassem como é absurda a sua pretensão de fazer Israel desaparecer. 

Estes líderes verão um país desenvolvido que multiplicou por 12 a sua população desde a sua fundação, uma potência tecnológica de 1ª grandeza, com 12 (doze) Prêmios Nobel recebidos, medicina avançada e inovadora, invenções extraordinárias no campo da alta tecnologia, tendo relações diplomáticas com 157 países, inclusive China e Rússia. 

Aliado dos EUA, etc. Se “wishful thinking” (achar que o que querem terminará se concretizando) fosse uma modalidade esportiva, os palestinos ganhariam as medalhas de ouro, de prata e de bronze em qualquer Olimpíada.

Mas voltando à suposta união entre o Hamas e a AP sobre a qual fui muito perguntado no Brasil. O Hamas, simplesmente, acordou para a realidade. Quer ser conduzido pela AP à pacificação com Israel.

Mas como é que o Hamas muda de posição, sem perder a cara? Parece que encontraram o caminho: entrar pela porta dos fundos nas conversações com Israel. A princípio, dirão que continuam a se opor à existência do estado judeu. 

Aos poucos vão entrando nas negociações através da AP. Provavelmente como observadores já que não fica bem negociar diretamente com o “demônio”. Mais tarde falarão em “real politik”. E no fim, acredito, reconhecerão a realidade dos fatos que é a existência de Israel.


ANTI SEMITISMO NÃO SÓ PERSISTE. AUMENTA

Após quase 70 anos do fim de 2ª Guerra quando o anti semitismo chegou ao áuge (Holocausto) e matou mais de 6 milhões de judeus, o anti semitismo continua vivo e forte no mundo.

“Pesquisa mostra: 25% da população mundial tem idéias anti-semitas”. Esta foi a manchete do jornal Haaretz da última 2ª feira. Os detalhes são os seguintes: O país com menos preconceito é o Laos e os que mais odeiam os judeus estão na Cijordânia e Gaza, como seria de esperar.
  


Manifestantes vestindo farda da SS e portando a bandeiras da Alemanha nazista e da Grécia desfilam em Atenas em 9 de Outubro de  2012. Photo by AP

Como um câncer que resiste a qualquer tratamento, atitudes anti-semitas continuam persisitentes e estão em todo o mundo. “Mais de 1 em 4 adultos no  mundo estão profundamente afetados por atitudes anti semitas” concluiu o relatório da ADL (Anti Defamation League) americana distribuido à mídia na semana passada.

O “ADL Global 100”, um índice de anti semitismo no mundo, é feito através de perguntas a 53.100 adultos em 102 países. Nada menos de 26% manifestaram idéias anti-semitas, o que  correspondem a 1.09 bilhão de pessoas em todo o mundo.

O Diretor Geral da ADL, Abraham Foxman, declarou após a apuração dos resultados: “Pela primeira vez a enquete revelou quão persistente e difuso é o anti semitismo no mundo, hoje. Por outro lado, podemos também identificar pontos e lugares onde o anti semitismo é inexistente.

Apresentamos 11 perguntas aos pesquisados,com a possiblidade de votar “Não é verdade”. “Provavelmente, verdade” ou “verdade”. As perguntas foram do tipo: “os judeus querem dominar o mundo?  Eles são agressivos? Protegem um aos outros? São mais leais a Israel? Controlam a mídia?. A partir da resposta “provavelmente é verdade” foram considerados anti-semitas latentes ou reais.

CRÍTICAS À PESQUISA

Se bem que todos elogiaram o trabalho da ADL, alguns “entendidos” em Israel e de fora criticaram o estudo considerando-o um tanto “fora do alvo”, etc. 

A enquete, por exemplo,  dá nota altamente positiva aos países escandinavos, alguns consideraram o resultado falho. 

Alguns observadores como o rabino Abraham Cooper do Centro Wisenthal,  não concordaram com parte e deu um exemplo: A Suécia foi considerada, praticamente, “limpa” de anti semitismo (apenas 5% foram considerados anti semitas), Cooper lembra que a cidade de Malmo, aparece na lista do Wisenthal Centre (não da ADL) como “não aconselhavel visitar”. 

Observação: Malmo tem uma comunidade de apenas 700 judeus, enquanto ¼ da população da cidade de 304.000 ou 74.000 é constituída por muçulmanos.